Valores pra 2017

Valores pra 2017

De vez em quando nos deparamos com textos ou músicas que representam o que somos ou dizem tudo o que sentimos e queríamos dizer em determinado momento. Nos primeiros dias de 2017 ando refletindo sobre o que quero para o ano novo. Já agradeci pela leveza e pelas alegrias de 2016 e agora é hora de agir para que eu tenha mais 365 dias de vida plena, cheia de bons resultados, resultados esses consequências das minhas escolhas e atitudes.

Ana Vilela diz tudo o que penso e quero. Para que escrever outro texto se essa música é meu reflexo?

Não é sobre ter
Todas as pessoas do mundo pra si
É sobre saber que em algum lugar
Alguém zela por ti
É sobre cantar e poder escutar
Mais do que a própria voz
É sobre dançar na chuva de vida
Que cai sobre nós

É saber se sentir infinito
Num universo tão vasto e bonito
É saber sonhar
E, então, fazer valer a pena cada verso
Daquele poema sobre acreditar

Não é sobre chegar no topo do mundo
E saber que venceu
É sobre escalar e sentir
Que o caminho te fortaleceu
É sobre ser abrigo
E também ter morada em outros corações
E assim ter amigos contigo
Em todas as situações

A gente não pode ter tudo
Qual seria a graça do mundo se fosse assim?
Por isso, eu prefiro sorrisos
E os presentes que a vida trouxe
Pra perto de mim

Não é sobre tudo que o seu dinheiro
É capaz de comprar
E sim sobre cada momento
Sorrindo a se compartilhar
Também não é sobre correr
Contra o tempo pra ter sempre mais
Porque quando menos se espera
A vida já ficou pra trás

Segura teu filho no colo
Sorria e abraça teus pais
Enquanto estão aqui
Que a vida é trem-bala, parceiro
E a gente é só passageiro prestes a partir

“Não é sobre tudo que o seu dinheiro
É capaz de comprar
E sim sobre cada momento
Sorrindo a se compartilhar”
Ana Vilela

30 e poucos anos

30 e poucos anos

O tempo passa, o tempo voa e a gente fica mais maduro, humano. Aos 30 e poucos anos, voltar para casa depois de dias viajando a trabalho é uma das melhores sensações (lar doce lar!), assim como nos conhecer melhor, nos entender, nos aceitar e valorizar.

Aos 30 e poucos não nos importamos mais com o que o mundo pensa de nós e nossas escolhas (pelo menos não deveríamos!). Nos importamos com as pessoas que amamos, com as contas que temos que pagar, com os compromissos que temos que cumprir, com a busca pela qualidade de vida, com o planejamento do futuro, que está logo ali.

Aos 30 e poucos anos buscamos fazer planos mais reais (ter filho, comprar o apartamento, investir para fazer um pé de meia), estruturamos viagens que acontecerão em breve, fazemos escolhas que impactam nossas vidas de imediato (casamos, separamos, mudamos de cidade, voltamos a estudar, trocamos de emprego), saímos do mundo do idealismo do que se pretende para a prática. Afinal, já são 30 anos!

Aos 30 e poucos anos nos assumimos como adultos, donos de nossas vidas, responsáveis pelas nossas decisões. O que vale mais é valores, atitudes. Palavras como gentileza, amor, carinho, atenção, ganham força e verdade. Dinheiro é necessário, mas para que possamos ser felizes. Chegamos a conclusão de que ele não é a felicidade em si, nem é ele que traz a felicidade.

Aos 30 e poucos anos percebemos que menos é mais pra muita coisa: amizade, vida virtual, preconceito…

Aos 30 e poucos anos queremos estar mais juntos dos amigos e da família. Valorizamos reuniões mais íntimas e o cafuné no fim do dia. Relembramos da infância com saudosismo e nos orgulhamos das conquistas, da transformação que a vida nos proporcionou: somos mais verdade, mais consciência, mais vida. Diferenciamos passado e o valorizamos. Afinal, somos o que somos por tudo o que já vivemos. E aí se enquadra tudo: a infância feliz ou reprimida, os antigos relacionamentos, pessoas que passaram por nossas vidas e deixaram suas marcas, histórias engraçadas e tristes.

Aos 30 e poucos anos buscamos leveza. Mesmo diante das responsabilidades, das dificuldades, dos desafios. Queremos as pequenas alegrias diárias, reduzimos os confrontos, já sabemos a hora de falar e a hora de calar. Engolimos sapos, aprendemos a nos desapegar (principalmente das coisas materiais), praticamos a sabedoria adquirida ao longo do tempo.

Aos 30 e poucos anos, vivemos, nos descobrimos a cada dia, nos transformamos a cada manhã, nos reinventamos a cada noite. Somos mais nós mesmos, na essência, com muita verdade.

“Dizem que sou louco por pensar assim
Se eu sou muito louco por eu ser feliz
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz”
Os Mutantes

Poucas palavras, muito sentimento

Poucas palavras, muito sentimento

Coração está triste. O pensamento avoado. O dia está pesado, angustiante. Não quero ver jornal, ler notícias. Mas a informação chega até mim, mesmo eu me esquivando dela. Na hora de grandes tragédias, me sinto afetada, profundamente introspectiva, e, em meio ao luto e à perplexidade, me sinto mais humana.

O dia tem sido de reflexão. Sobre o que sou, o que tenho feito da minha vida, como tenho feito parte da vida de quem amo. Como num passe de mágica, ou um feitiço, tudo pode desabar, acabar. Não penso em deixar legados, mas sim em viver plenamente, fazer a diferença dia a dia para quem está ao meu redor.

Num cenário de morte, sim, falo da vida! Para quem ficou, é um chamado para analisar o que ela significa. Dinheiro? Fama? Família? Amor? Evolução humana? Poder? Pode ser tanta coisa… E o que vale a pena? Para que e para quem vivemos? O que somos? A vida é nossa, mas como impactamos os outros? Como devemos fazer nossas escolhas?

Se existisse receita e as pessoas fossem mais humanas, todos poderíamos ser felizes. Mas não, o ser humano tem se mostrado cada dia menos humano, desprendido de valores, individualista, ganancioso. Espero que o que vejo hoje em muitas mensagens e depoimentos, sentimentos mais amorosos e embebidos de grandiosos sentimentos pelo próximo, seja real, verdadeiro. Desejo que seja mais praticado por todos, não apenas em um dia de comoção nacional.

 “Ó glorioso verde que se expande
Entre os estados tu és sempre um esplendor
Nas alegrias e nas horas mais difíceis
Meu furacão tu és sempre um vencedor”
Hino Oficial da Associação Chapecoense de Futebol (SC)

Paixão

Paixão

 

Será que os relacionamentos quando se é adulto não têm paixão? Ficamos sépticos, racionais, medrosos diante do que já vivemos? Nos privamos das loucuras e da irreverência dos nossos sentimentos?

Acordei me perguntando como me relacionar depois dos trinta. Com maturidade, consciência, mas com romantismo, leveza e paixão. É isso que quero! Mas o que é paixão? “Sentimento tão forte quanto o amor, mas efêmero, provocador, impulsivo, desesperado, inquieto”. Na prática, depois dos trinta, paixão é o riso frouxo diante da atitude normal do amado; são as surpresas feitas e recebidas; é o querer e realizar, por nós, por ele. É a declaração feita na frente de todos (que me ruboriza) e a declaração a dois (que também me deixa encabulada). É expor os sentimentos, falando, agindo, sem vergonha da plateia, com orgulho da plateia e do relacionamento. É cobrar o beijo, querer mãos dadas sempre, fazer questão da companhia. Paixão é fazer dar certo, mesmo quando tudo está dando “errado”. É rir junto, chorar junto, planejar e realizar… Junto!

Paixão é não ter vergonha de gritar para o mundo o que se sente. É falar, hoje, amanhã, todo dia, toda hora, “te amo”, “te adoro”, “você é importante para mim”, “você me faz feliz”. É conversar sobre tudo, e sempre mais. É se encantar diariamente por ele, por algo novo, pela característica que já admira, pelo defeito, que já virou charme.

Paixão não é só o coração disparado recorrente nos amores da juventude. Na vida adulta, é o cuidado e a dedicação diários; é a torcida pelas conquistas do outro (que são minhas também); é o arrepio ao ganhar um beijo na nuca. Paixão é fazer ou receber massagem e ficar feliz por agradar ao outro; é viver inquieto com a qualidade do relacionamento, buscando melhorar cada dia mais, afinal, é por paixão que fazemos de tudo para dar sempre certo. Pros dois, pra nós.

E porque não o arrobo sentimental!? Sim, paixão na vida adulta é a carência de vez em quando. É falar como criança e pedir colo e carinho. É o choro de saudade e a cobrança por mais atenção e romantismo durante o telefonema. É provocar ciúmes para se sentir querido e importante, assim como provocar desejos, se sentindo mulher e desejada. É voltar a ser criança e se permitir ser verdadeiro, sonhador, amoroso…

Na vida adulta, não quero que minha paixão seja efêmera. Quero que dure, perdure, se renove. Mesmo sem impulsividade. Mas com verdade. Quero sempre o sabor da conquista, a alegria de ser bem quisto, a emoção de ser importante para ele. Quero uma paixão arrebatadora, mas não de sentimentos explosivos e superficiais, que encantam, encorajam, mas passam. Quero uma paixão que surja do amor e se fortaleça com ele; que me faça ter o coração pulsando com tranquilidade pelo porto seguro que se formou, pela base que se criou, pela escolha individual dos dois. Quer ser sempre apaixonada por ele, afinal, a minha paixão me move a viver mais e intensamente, por mim, por ele, por nós.

“Paixão cruel, desenfreada
Te trago mil rosas roubadas
Pra desculpar minhas mentiras
Minhas mancadas
Exagerado
Jogado aos teus pés
Eu sou mesmo exagerado
Adoro um amor inventado”
Cazuza

Vergonha de ser romântica!? Eu não.

Vergonha de ser romântica!? Eu não.

Uma vez escrevi no facebook que a minha praticidade quase me fez esquecer que sou romântica. E não é que a vida nos faz deixar de lado essas coisas! Não podemos deixar. Romantismo para mim tem a ver com atitude, com sentimento, com gentileza, com amor ao próximo e à vida. E por isso, não, não deixo a vida me levar e me tomar o gosto das pequenas coisas que me fazem feliz, que deixam as pessoas ao meu redor felizes.

Gosto de surpreender e ser surpreendida. Me fazer presente, especial. Ter companhia (com qualidade) e me sentir também especial. Aí entra o romantismo. Aí estão as atitudes que fazem toda a diferença.

Para quem eu gosto vale quase tudo!

Uma ligação para saber como está passando, um encontro despretensioso, uma carta que quase sempre são páginas. Um recadinho inbox no facebook ou um e-mail cheio de novidade e curiosidade sobre a vida do outro. A compra de um presente, lembrancinha ou presentão, em datas nada comemorativas, que a gente deve comemorar, afinal, nos gostamos. Um chocolate na mesa do trabalho com o bilhetinho de bom dia. “Gotas de alegria” para a vovó: cartas diárias com poesias, fotos, causos e declarações em uma fase da vida que a saúde está debilitada, mas o coração bate forte com demonstrações de carinho. A comida japonesa para o jantar, o biscoito de polvilho predileto do sobrinho ou a chegada de surpresa na casa do irmão. A companhia, mesmo que em silêncio. Declarações, pessoais ou não, faladas, silenciosas, gesticuladas, sentidas pelo toque, a dois, em público (mesmo que causa rubor facial).

Para mim, também pode valer quase tudo!

Uma (ou três) nhá-benta. Cartões e cartas, a formalização do que se sente e ali se eterniza. Mãos dadas em um passeio à tarde. O abraço apertado e o sorriso nos lábios quando há reencontros. A ligação para desejar bom dia. Uma flor no fim do dia. A comida desejada. Hum… Sabores de mãe, vó, tia. De infância. Uma mensagem no facebook (por que não!? Desde que seja verdadeira, de coração.). Uma visita inesperada. A gentileza de se abrir a porta do carro. A lembrancinha da viagem que fez. Surpresas…

Ser romântico é ser apaixonado, é ver poesia nas pequenas e grandes situações, é ser sentimental, sensível. É viver intensamente. Que eu seja prática sim, pra resolver problemas, para os afazeres da casa, mas nunca para viver. A vida pede mais romantismo. A minha, pelo menos.

 “Me dá um beijo, então
Aperta minha mão
Tolice é viver a vida assim sem aventura
Deixa ser
Pelo coração
Se é loucura então melhor não ter razão”
Lulu Santos

Falta de fazer (mais) parte da sua vida real

Falta de fazer (mais) parte da sua vida real

Como será que estão meus pais, irmãos e sobrinhos agora? Meus amigos precisam de ajuda ou querem conversar? Será que a vovó passou bem o dia? Meu namorado está tendo uma boa viagem de férias? São muitas as perguntas. Todas sobre pessoas queridas, com as quais eu queria estar perto, junto. Participando, ativamente, do dia a dia.

Sozinha, na sala, vendo tv, um filme, me deparo com os questionamentos da vida moderna. Tive notícias de todo mundo pelo whatsapp, pelo facebook, pelo e-mail. Mas não me foi suficiente, não me preencheu. Continua a sensação de distância, de não fazer parte, de não estar junto. E não é saudade, só saudade. Não se trata de estar triste por estar sozinha. Estou falando de viver a vida real, de encontrar; de ligar, ouvir a voz e sentir a vibração da fala; de viajar para sentir que estamos juntos mesmo que por pouco tempo. Com essas ações sim, percebo que essa distância é apenas física, pois sim, participamos, contamos uns com os outros, contamos uns para os outros, fazemos parte do dia a dia.

A vida real requer atitude. Escolhas. Sair de BH rumo a Juiz de Fora, com “escala” em Mariana (na ida e na volta), para almoçar e festejar o aniversário de um ano do sobrinho. Bate e volta, pois o dia seguinte é útil. Deixar a preguiça do sábado para se reunir com as amigas na piscina, aproveitando principalmente as companhias para jogar conversa fora. Sair mais cedo do trabalho para tomar um café com a professora/amiga que quer dividir suas inquietações com você. Matar a academia para bater perna na Savassi, comer pizza e falar sobre a vida como ela é com a noiva do mês. Ir a aula sexta-feira a noite, cansada, para encontrar os colegas para uma noite de troca de conhecimentos e parceria nos trabalhos. Ligar para os aniversariantes do dia para falar com eles, ouvir, fazer parte. Escolhas que me fazer viver a vida real.

Claro que a virtual me traz muito benefícios. O contato é mais fácil e rápido. O custo é baixo. Trocamos fotos e vídeos. Estamos sempre juntos, “conversando” até mesmo em grupo. É. Pode ser reunião familiar ou de amigos. Mas nessa vida, que não me deixa ficar distante de todos que amo, é tudo muito superficial. As conversas são vagas. As mensagens padronizadas. As ações são pela facilidade e não pela intencionalidade.

Sim, sou antissocial na vida digital. E tento melhorar. Mas não quero! Quero mais abraço, mais olho no olho, mais toque, mais confidências, mais proximidade. Quero mais qualidade nas relações, verdade, profundidade…

 “Devia ter amado mais,
Ter chorado mais,
Ter visto o sol nascer.
Devia ter arriscado mais
E até errado mais,
Ter feito o que eu queria fazer.”
Titãs

Por eles, o melhor de nós

Por eles, o melhor de nós

Este tem sido um ano bem diferente para toda a minha família. Com a chegada dos primeiros netinhos, nossa vida se modificou, nossos olhares possuem uma nova direção, nossa atenção passou a ser principalmente para os pequenos. Eles mudaram a nossa vida, para melhor. Aproximaram-nos ainda mais. Tornaram-nos ainda mais família.

Os valores que nos regem continuam os mesmos e estamos ansiosos em repassá-los para frente para a nova geração. Desafio! Mas o que de fato mudou e por quê?

As crianças nos alegram porque nos tornam mais vivos, nos dão outros motivos para viver. Agora não se quer conquistar por nós mesmos ou pelo casal, pelos pais, pelos irmãos. Queremos fazer tudo certo e fazer dar certo para que eles sejam felizes. E esse é o verdadeiro sentido de ser pai, mãe, avós, tios… Agora é tudo por eles e nesse momento ainda mais forte, quando dependem totalmente de nós.

A nossa alegria de viver está nas conquistas dos picurruchos: os sorrisos que mostram que nos reconhecem, os primeiros passos que os fazem ganhar espaço e ir em nossa direção, as conversas sem palavras mas carregadas de significado, os braços que pedem colo, os choros que são pedidos de carinho e socorro… A nossa transformação, silenciosa e diária, é para reconhecer os sinais, nos dedicarmos a fazer o bem, a sermos pessoas melhores, desapegados das agarras da vida adulta e livres para voltarmos a ser crianças para alegrar, educar, formar, ajudar os pequenos nas descobertas da vida.

O que mais me encanta nessa transformação de todos e de cada um é ver, sentir e vivenciar a evolução. As cunhadas viraram mães dedicadas, afetuosas, corajosas. Os irmãos se descobrem cada dia mais pais: cuidam, ajudam, se responsabilizam, brincam, encorajam, se fazem presentes. Os avós são mesmo pais com açúcar. Para eles não têm limite para alegrar, ao mesmo tempo há preocupação, cuidado, carinho, conselhos. Os tios e as tias ganharam um brilho novo no olhar e tentam ser apoio constante para os pais, assim como “bacukp” dos pais para os pequenos: se mostram presentes, querem ajudar para aliviar as dificuldades e o cansaço dos pais, se encantam como cada descoberta dos picurruchos.

Todos hipnotizados! Todos envolvidos com a beleza da vida, das novas vidas, as nossas e as dos pequenos.

“Sermos dois é aconchego
Sermos três é desafio
Transformar o sentir em amor
E perpetuar o nosso mundo
Se doar pra viver a lição de alimentar um coração
Sermos três, felicidade
Sermos três é realidade”
Lívia Amaral de Santana