Maio 20, 2007...11:20 am

As nossas prioridades…

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Como já repararam, pelo menos quem anda por aqui assiduamente, têm surgido algumas críticas à escrita “informal” que pontua os blogs bem como às minhas posições pró-sindicalismo.

Parece-me então oportuno tecer algumas considerações sobre a escrita bloguística. Podemos começar por aferir o tempo médio despendido por cada um de nós ao escrever um post para o, ou os, nossos blogs pessoais. Ao fazê-lo decerto que iremos notar a rapidez com que cada um pensa, idealiza e transcreve as suas ideias para um ecrã de computador, muitas vezes menos preocupados com a clareza linguística e mais com a clareza de comunicação. Este facto assume a sua importância relativa, não só pelo “atropelo” à língua materna, mas também porque a própria comunicação é atrapalhada por esta poluição comunicacional.

Assumo as minhas dificuldades junto às normas linguísticas. Aliás, as minhas dificuldades de relacionamento com todo o tipo de normas e regulamentos são por demais evidentes. ;) Devido à minha formação (profissional e artística) sempre me preocupei mais com a comunicação visual, com a sua literacia e gramática, procurando que os elementos da linguagem visual se ocupassem de transmitir a mensagem que muitas vezes escrita não conseguiria realizar. Perkins aliás refere-se em “The intelligent eye” à característica inteligente do olho em captar a mensagem primordial e só posteriormente permitir ao cérebro a descodificação da mensagem.

No fundo julgo que quem se preocupa mais com a capa do que com o conteúdo não esta a descodificar a mensagem, mas apenas a codificá-la num outro código, mais atractivo e apelativo para si. No contexto actual em que nos situamos, é-me mais caro e interessante o conteúdo da mensagem e não a sua forma, rótulo ou canal. Mas cada um tem as suas prioridades.

Aliás, as prioridades que cada um de nós define para as nossas preocupações diárias transparecem na forma como intervimos civicamente nos espaços que nos rodeiam. As minhas preocupações sindicais e profissionais definem-me como pessoa, profissional, cidadão. Quem partilha ou não essas preocupações, mas que se interessa por discuti-las, está no fundo a partilhar as minhas preocupações. E aligeirar essa preocupação, direccionando as atenções para assuntos de somenos importância, não só é discutível eticamente como preocupante civicamente.

22 Comentários

  • Lamento ter que rebater ” As nossas prioridades…” Sou das pessoas que frequenta a net quase desde que ela existe em Portugal. É facílimo distinguir os erros dados pela urgência, escrita rápida, etc e os erros dados porque efectivamente não se sabe escrever português. Usar perdes-te por perdeste é um erro dado por quem não domina a Língua. E temos que distinguir quem escreve ! A um blog escrito por professores não posso dar a mesma “liberdade” de um blog escrito por pessoas não ligadas ao ensino. A net é um meio de comunicação em que todos devem poder intervir como podem e sabem, logo cada um deve escrever à vontade. Um professor, não!!! Preocupante civicamente é um professor não saber as regras básicas da Língua portuguesa. E sabe porquê? Porque a primeira forma de intervenção cívica de um professor no espaço que o rodeia é a responsabilidade que tem junto dos seus alunos. Tudo o resto que escreveu é conversa para justificar o injustificável: um professor não dominar minimamente a Língua. Porque trocar perdes-te por perdeste e usar incorrectamente o verbo haver, não é uma questão de pressa, é mesmo uma questão de saber. Ser professor não é fácil, eu sei. Qualquer profissional para ser considerado e respeitado tem que ser bom naquilo que faz o que lhe exige um investimento permanente de formação e actualização. E o professor mais que qualquer outro, porque tem um o papel marcante na vida das novas gerações. A maioria das pessoas momentaneamente não se lembra de um profissional que as tenha marcado, mas rara é a pessoa que não identifica, de imediato, um professor que a marcou. Isso é uma enorme responsabilidade. Se como professor conseguir ser um marco na formação dos seus alunos cumpriu brilhantemente as suas funções de cidadão e profissional e uma parte significativa de pessoa. Claro que em todas essas vertentes está no seu pleno direito de intervir também no plano dos direitos da forma que entender. Indiscutível.

  • Ah…este post levou-me 3 m a escrever…e não sou professor!

  • Varredor disse : “A net é um meio de comunicação em que todos devem poder intervir como podem e sabem, logo cada um deve escrever à vontade. Um professor, não!!! ”

    Eu já ouvi de tudo (e li), mas uma privação tão rápida, certeira e directa de opressão dos direitos de terceiros é realmente flagrante.

    Meu caro, não está em causa o conteúdo ou a veracidade de algumas das suas críticas…está em causa a sua postura de detentor da verdade absoluta, sem permitir nem perceber as opiniões dos que estão à sua volta.

    E quer saber mais?! Se realmente o que lhe interessa nos posts que lê na net é identificar erros ortográficos, gramaticais e afins, desejo-lhe um bom fim de semana. Eu por mim vou discutir ideias, não papel de embrulho.

  • Humildade democrática

    Olá, João!
    Deixa, a intenção de boicotar o debate através de manobras de diversão, dado que quanto menos se falar, menos se pensa…
    …é o nosso Varredor de serviço, os blogs e fóruns têm comummentem um, versão actualizada do lápis azul soft.
    De uma forma que pretendem mais artística, claro…
    Ignoremos o ruído de fundo e continuemos, com inteligência e humor, perseguindo aquilo em que acreditamos.
    Um abraço… e tento propôr assuntos mais interessantes, se esse senhor nos quiser ajudar a varrer!

    http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1294471

    http://www.wehavekaosinthegarden.blogspot.com/

  • Humildade democrática

    Your comment is awaiting moderation.
    Assim é seca…

  • joão pires, deturpou o sentido que pretendi dar. Um professor deve exprimir as suas ideias como qualquer cidadão. Pretendi apenas significar que um professor não pode escrever com erros ortográficos grosseiros…ou acha que pode?
    Em relação à defesa da Língua e da ideia de que um professor tem que saber falar e escrever português sou realmente intransigente. Mas se para si A Língua é apenas papel de embrulho… Por posturas semelhantes eu já estive num seminário no ME em que as sessões apareciam no folheto de apresentação como secções! Assim…
    9h- Início da secção por …..ehehehehehhe
    Pois…o corrector ortográfico trata a Língua como papel de embrulho….e eu achava que professor não podia!!!Em defesa das ideias parece que pode…embora a relação entre a Língua e as ideias até podia ser uma ideia a discutir!

  • Peço desculpa aos comentadores, mas sem ainda ter percebido como, aguns comentários ficaram à espera de aprovação…quando nunca indiquei tal coisa ao wordpress. Mas enfim, parece-me que está tudo regularizado neste momento. ;)

  • Humildade democrática

    E porque postei um comentário antes deste que ainda cá não está, “Your comment is awaiting moderation.”, e o seguinte entrou normalmente? Palavra que não escrevi nada indecente!!! :(

  • Humildade democrática

    Ok, já percebi!
    Tudo bem! ;)

  • “Humildade democrática”….o nick é uma ironia, porque depois deste uma de superioridade! Essa do lápis azul soft foi um “must” de humor….E”Ignoremos o ruído de fundo e continuemos, com inteligência e humor, perseguindo aquilo em que acreditamos.” um “must” de inteligência!!!
    Acabou o fim de semana…acabou a minha participação!

  • Humildade democrática

    Coitado!
    É que não percebeste mesmo nada!
    Bom, vem aí semana de provas de aferição…
    Eles inventam, a malta que se amanhe! :(

  • “humildade democrática” ainda por aqui estava e li o teu post que se pode traduzir por sentimento de “classe” e sobranceria de “setor”! Sei….

  • Humildade democrática

    dahhhhh
    Chato, maniento e cansativo.

  • Humildade democrática

    E essa do “setor” – a não ser que a varridela tenha corrido mal, e ele quisesse falar de “seCtor” – é mesmo à Morangos… Já me bastam os alunos, que desde que tal coisa começou, deixaram de nos chamar profs!

  • João Pires
    Se a sua mensagem vier sem erros ortográficos, tudo bem.
    Se vier com erros ortográficos e eu conseguir ainda assim distinguir as emoções, tudo bem na mesma.
    Em tempo de guerra não se limpam armas.
    A blogosfera não é uma sala de aulas, talvez seja mesmo, como diria Hegel, o seu oposto dieléctico. O caracter dominante dos alunos sobre a vida do professor termina no portão da escola. Ninguém é profissional em cem por cento do seu tempo. Há espaço para muito mais. Hé necessidade de muito mais.
    Que não subordine o que tem para dizer em nome do como pode ser dito. Com a pratica, alguns errors desaparecerão. Sem a prática, permanecerão. E, no meio tempo, perdemos todos os que partilham da sua rebeldia.

  • Muito obrigado António, a rebeldia vai-se manter sempre, com ou sem erros ortográficos… e lerá quem quiser ;)

  • Ohhhh … só hoje é que descobri este “bate-papo” … que pena! Mas, resolveu-se lindamente!
    Gostaram do brasileirismo???
    Não ligues João … andam aí muitos anónimos a chatear. Sim! Chatear (é calão).
    Jis!

  • Nem outra coisa seria de esperar de Mariae!!!No mais correcto português, requintando-se no uso da pontuação, justificando todas as fugas à norma, vir apoiar os erros de português do colega. Sinceramente mariae, ficou-lhe mal vincar tanto a diferença! Mas numa coisa o seu colega é-lhe é-lhe muito superior! Não faz censura de textos e tudo é publicado. No seu blog “A sinistra ministra”há tesoura. E a senhora mariae é aquela que afirmou que deixaria de respeitar os colegas que não fizessem greve. Juntando censura no blog com ausência de direito à diferença, teremos uma comunista. Daquelas de punho no ar gritando pelas amplas liberdades…assim tipo Cuba, Coreia do Norte…, ex URSS. Já sei que vou ser chamado de anti comunista primário, mas não sou, sou mesmo secundário. Só espero que a mariae não seja como a Odete, com bigode!!!!

  • Haaaa! “humildade democrática”, já me esquecia! Então os alunos não chamam todos “setor” aos professores a partir do 5º ano? Eu ainda hoje assisti a uma conferência dirigida a alunos de 10º ano e era só “setor” e “setora”…Quanto aos morangos…não sei a que se refere porque nunca assisti a nenhum episódio. E essa do sector teve graça!!!

  • Meu caro Varredor, discordar totalmente das suas posições não significa ter de as censurar.
    Agradecia no entanto que lance as suas críticas nos blogs de direito e não no meu, pois assim “empastela-me” o raciocínio e aí serei obrigado a puxar da “tesoura comunista”. É que ao contrário do que afirma, o comunismo (e comunistas) não são sinónimo nem de censura e muito menos de falta de educação.
    Talvez fosse melhor cumprir o que prometeu num comentário anterior…e finalizar a sua participação neste post. É que já não está a ter rendimento.

  • Ok. Vou acabar mesmo. Concordo consigo quanto a entupir o seu blog. Talvez o facto de os outros censurarem todos os artigos que não reflictam a sua própria opinião. Compreendo que seja uma estratégia, quem for menos conhecedor e ler julga não haver opiniões diferentes. Quanto a ser comunista não significar falta de educação, inteiramente de acordo. Em relação a censura só poderá pensar assim porque nunca viveu em nenhum país com regime comunista. Em portugal, dentro do partido há censura, sim. E nos regimes comunistas, há uma censura feroz, em nada menor que a censura Salazarista. Conheço por experiência própria. O episódio do professor Charrua e que a idiota directora transformou em caso disciplinar, se fosse num país comunista podia dizer adeus à carreira. Vou seguir o seu pedido e não volto a intervir.

  • bolas! só hoje é que li isto! Fiquei sem dúvida esclarecida …


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