A caríssima Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, vem em grande destaque na Ensino Magazine de Fevereiro de 2007, numa entrevista que prima pela (im)parcialidade de quem a conduziu. Basta ler as primeiras meia-dúzia de linhas para o perceber: “O novo Estatuto da Carreira Docente traz mais justiça para a carreira dos professores, promovendo os melhores e permitindo excluir do sistema aqueles que não revelam competência.”
Refrindo-se às medidas que vai tomar em seguida, após as desastrosas já tomadas, Lurditas refere a necessidade de rever a formação contínua dos professores e o estatuto de gestão e autonomia das escolas. Assim, a intenção é de “regulamentar legislação como a da avaliação de professores, escolas e manuais escolares”. Percebe-se nas entrelinhas que Lurditas escreve torto por linhas enviesadas, querendo que a escola tenha uma participação das comunidades educativas (A.Pais, instituições e autarquias) e que os orgãos de gestão passem a ter os seus responsáveis designados de modo diferente. Portanto, além de enxovalhar os docentes, o ME passará a designar directa ou indirectamente os gestores de todos os orgãos das escolas.
Quando questionada sobre o novo ECD, Maria de Lurdes tem o desplante de afirmar que conseguiu um sistema rigoroso e valorizador dos professores que estão nas escolas e dão aulas. O essencial da avaliação, diz Lurditas, “incide no acto de leccionar (…)”. Basta ler o que vai na blogosfera para se perceber que não é este o entendimento dos professores.
Mas a entrevista piora, bem como as respostas. Sobre o novo regime de habilitação para a docência, diz-se: “É por isso a altura certa, pois há tempo e condições para que as instituições que formam professores apresentem agora os seus novos cursos e planos, para os terem em pleno funcionamento no próximo ano”. Esquece-se no entanto de referir que após a promulgação do regime jurídico, as instituições têm só 30 dias para apresentar os planos de estudo.
Finalizo com um dos leads da entrevista, “Há contestação, mas há trabalho“. Minha cara MLR, no tempo de Salazar também existia contestação e trabalho…repare bem no tombo que levou.

2 Comentários
Fevereiro 23, 2007 ás 8:34 pm
“Portanto, além de enxovalhar os docentes, o ME passará a designar directa ou indirectamente os gestores de todos os órgãos das escolas.”
Mas isso já não é assim? Excepções, há naturalmente mas … Desculpe-me o novo desabafo … a verdade é que se os Conselhos Executivos não têm questionado grande coisa … e geralmente, até são sábios a dar o exemplo. Agora até vale pontos ser do CE … que vergonha miserável …
Fevereiro 23, 2007 ás 8:35 pm
Manda-me lá o pdf ou jpg da entrevista e eu depois acolho-te de novo no 2º CEB.